10 de out de 2013

10/10/2013 - Marinha quer lançar, ainda este mês, edital para construir estação antártica

Projeto executivo foi entregue nesta 5ª; veja em vídeo como deve ficar.
Estação Comandante Ferraz custará R$ 110 milhões e fica pronta em 2015.

A Marinha do Brasil recebeu nesta quinta-feira (10) o projeto executivo da nova estação antártica Comandante Ferraz e anunciou que vai lançar até o fim deste mês o edital para escolher a empresa que vai construir o novo complexo, utilizado por cientistas e militares no continente gelado.

O projeto, elaborado pelo escritório de arquitetura Estúdio 41, de Curitiba, levou em conta considerações da Marinha e dos ministérios do Meio Ambiente e da Ciência, Tecnologia e Inovação para ser preparado. O escritório venceu em abril um concurso promovido pelo Instituto de Arquitetos do Brasil (IAB).
Uma animação divulgada pela corporação nesta quinta mostra como ficarão os ambientes externo e interno da nova estação antártica (veja acima), que vai substituir as instalações destruídas por um incêndio em fevereiro de 2012, que matou dois militares.

Segundo um estudo feito pelas universidades Federal de Viçosa (UFV) e Federal de São Carlos (Ufscar),
 o solo da antiga estação Comandante Ferraz estaria contaminado por metais pesados como cobre, chumbo e zinco em níveis muito acima dos valores permitidos pelo Conselho Nacional de Meio Ambiente (Conama).Cronograma

Segundo o projeto executivo, o custo estimado para a construção do complexo será de R$ 110 milhões. O edifício principal terá uma área total de 4.500 m² e as unidades isoladas, como as torres de energia eólica e a área para helicópteros, somarão outros 500 m². A nova estação terá capacidade para abrigar 64 pessoas, segundo a Marinha.

De acordo com a corporação, entre dezembro deste ano e janeiro de 2014 serão feitos o levantamento geotécnico do solo e iniciado o plano de remediação da área afetada pelo incêndio, no intuito de descontaminar o solo do local.

Por isso a necessidade de procedimento para que os contaminantes sejam removidos de forma eficaz e não prejudique a biodiversidade do local.

Em março de 2014 será iniciada a instalação das fundações da nova estação científica. De março a outubro do próximo ano serão construídos os módulos do complexo, adquiridos os equipamentos e realizada a pré-montagem da estação -- procedimento será realizado no Brasil ou fora do país, definição que depende da empresa que ganhar a licitação da Marinha.
Em novembro do próximo ano, as peças já pré-montadas serão transportadas de navio até a Baía do Almirantado, onde fica a estação brasileira, e será iniciada a montagem da nova estação na Antártica. A previsão é que em março de 2015 a obra será concluída e entregue.

Módulo provisório substitui estação oficial
No fim de fevereiro, a Marinha terminou a retirada dos destroços, ação que foi acompanhada pela reportagem do G1, que viajou até a Antártica entre os dias 03 e 12 de fevereiro, durante 31ª edição da Operação Antártica (Operantar).

Desde março, militares e poucos cientistas que seguem para lá utilizam um complexo provisório chamado de Módulos Antárticos Emergenciais (MAEs), compostos por seis dormitórios, uma enfermaria, uma cozinha, além de refeitório, escritório e um laboratório.
Há ainda dois contêineres destinados para o tratamento de esgoto, três para geração e distribuição de energia e mais um para o fornecimento de água potável. De fabricação canadense, os módulos foram adquiridos por licitação emergencial e custaram R$ 14 milhões, montante que serviu para cobrir os produtos e a operação logística.

Incêndio destruiu parte de pesquisas
De acordo com o coordenador de projetos científicos do Programa Antártico Brasileiro (Proantar), Jefferson Simões, 40% das investigações brasileiras realizadas na estação foram destruídas pelo incêndio. Com as instalações provisórias, é provável que as pesquisas sejam integralmente retomadas na partir da 32ª Operantar, que teve início neste mês e deve durar até março de 2014.
As investigações científicas realizadas pelo Brasil na Antártica podem ajudar no serviço de meteorologia, na previsão de frentes frias e no impacto que elas causam em atividades agropecuárias do país.

Ao mesmo tempo, os estudos ajudam a entender os efeitos da mudança climática global, provocada pelo excessivo lançamento de gases causadores do efeito estufa, responsáveis por aquecer o planeta e provocar um acelerado degelo da região.

Segundo o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), são atendidos atualmente 21 projetos de pesquisa. Entre 2000 e 2012, foram destinados ao Proantar pela pasta de ciência o montante de R$ 144 milhões.
Módulo Antártico Emergencial foi erguido onde funcionava o heliporto da estação Comandante Ferraz (Foto: Divulgação/Marinha do Brasil)Módulo Antártico Emergencial foi erguido onde funcionava o heliporto da estação Comandante Ferraz (Foto: Divulgação/Marinha do Brasil)

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