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sábado, 27 de dezembro de 2014

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27/12/2014 - Pesquisadores realizam travessia inédita pelo interior da Antártica

Pesquisadores farão a primeira travessia científica brasileira na parte central do continente gelado.
Crédito: Divulgação/MCTI
MCTI financia expedição por 1,4 mil quilômetros do continente gelado, a fim de coletar dados e reconhecer território para módulo científico.
Quatro pesquisadores da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) embarcam neste domingo (28) de Porto Alegre rumo à cidade chilena de Punta Arenas. O grupo seguirá viagem de avião para a geleira Union, ponto de partida de uma travessia de três semanas e 1,4 mil quilômetros pelo interior da Antártica, a bordo de caminhonetes adaptadas à neve, com três eixos e tração nas seis rodas. O Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) financia a expedição.
Segundo o glaciologista Jefferson Simões, líder da equipe, trata-se da primeira travessia científica brasileira na parte central do continente gelado. "Essa missão requer uma preparação logística que demonstra o amadurecimento do Programa Antártico Brasileiro [Proantar]", avalia o pesquisador, que é diretor do Centro Polar e Climático da UFRGS e coordenou a elaboração do plano de ação Ciência Antártica para o Brasil, lançado em maio e válido até 2022.
No trajeto, previsto para durar até o fim de janeiro, o grupo planeja coletar amostras de neve e gelo. O objetivo é gerar dados para avaliar impactos da ação humana sobre a atmosfera nos últimos 50 anos, como a presença de substâncias poluentes na superfície do continente, além de mapear e preparar o local para a instalação do módulo científico Criosfera 2, estrutura similar ao Criosfera 1, primeira plataforma de pesquisas do Brasil no centro da Antártica.
Simões explica que uma das frentes da pesquisa busca conferir se há certos tipos de fuligem depositados no interior do continente. "Já existe algum transporte de subprodutos de queimadas de florestas, como o carbono negro, entre a América do Sul e a Antártica? Nós não sabemos", diz. "A questão é: será que chega? E se chegar, a proporção é danosa, qual é a proporção? O que mais preocupa a comunidade glaciológica é que isso escurece a superfície e pode mudar a proporção de energia refletida de volta e aumentar o aquecimento. O manto de gelo absorveria mais calor e, assim, derreteria mais."
Módulos
A expedição passa pelo Criosfera 1, posto latino-americano mais próximo do Polo Sul geográfico, instalado em 2011. De acordo com o glaciologista, neste momento, cinco pesquisadores coletam material e realizam a manutenção técnica do módulo – estrutura que, no restante do ano, opera automatizada e envia dados por satélite ao Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe/MCTI), sem acompanhamento humano e movida a energia eólica e solar. No inverno, os termômetros já registraram 65 graus Celsius (ºC) negativos.
Prevista para o verão de 2015 a 2016, a montagem do Criosfera 2 deve ocorrer em um raio de cerca de 20 quilômetros, dentro de trecho a ser reconhecido durante a travessia, a 2,2 mil metros de altitude. Conforme esclarece Simões, o ponto escolhido deve coincidir com o topo da bacia de drenagem de gelo que se divide entre os mares de Amundsen, a sudeste do Pacífico, e de Weddell, mais próximo ao Atlântico. "A região, portanto, pega os finais das duas áreas continentais", destaca. "Nós temos interesse por esse local porque provavelmente seja muito sensível a pequenas variações climáticas que ocorrem nos dois oceanos, mas não sabemos ao certo."
Embora o módulo Criosfera 1 tenha registrado a menor temperatura até o momento (-65ºC), Simões acredita que o Criosfera 2 vá conviver com condições climáticas ainda mais severas, pela altitude de 2,2 mil metros, diante de 900 metros do primeiro módulo, e pela dificuldade de acesso. "Parte desse caminho é inédita, ninguém andou por lá, apenas sobrevoou de avião", conta o glaciologista, que espera enfrentar –30ºC no manto do gelo a ser percorrido.
Desafio
O grupo deve deixar Punta Arenas em direção à geleira Union em 5 de janeiro, por meio de uma aeronave Ilyushin 76, adaptada para pousar em pistas de gelo. De lá, com duas caminhonetes Toyota Hylux 6x6, reforçadas na tração e dotadas de pneus largos, eles rodam 520 quilômetros até o Criosfera 1, de onde partem para outra viagem, de 650 quilômetros, com destino ao monte Johns, região do Criosfera 2. Já no fim do mês, os pesquisadores retornam ao ponto inicial.
Para Simões, o principal problema de segurança a ser enfrentado pela equipe da travessia são as possíveis fendas no trajeto, que estão sendo monitoradas por sensoriamento remoto, com objetivo de evitar esses trechos. "Os buracos são muito largos e representam risco se a gente anda de carro ou a pé, mesmo a alguém que sai caminhando na frente ou andando de esqui", comenta. "Então, fazemos ciência, mas tem também um aspecto aventureiro."
Formam o quarteto de pesquisadores junto ao diretor do Centro Polar e Climático da UFRGS o engenheiro químico Felipe Lindau, o doutorando em Geologia Luciano Marquetto e o químico Ronaldo Tomar Bernardo. Também integram a expedição terrestre dois motoristas e um guia montanhista.
A travessia científica, a montagem do Criosfera 2 e a manutenção do Criosfera 1 até fevereiro de 2016 estão garantidos por recursos da Coordenação para Mar e Antártica do MCTI. As atividades integram o Proantar, com apoio da Secretaria da Comissão Interministerial para os Recursos do Mar (Secirm).
FONTE:  MCTI

domingo, 3 de fevereiro de 2013

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03/02/2013 - Repórteres do Fantástico chegam a Estacão antártica brasileira

Repórteres do Fantástico chegam a Estacão antártica brasileira


defesanaval -Os repórteres do Fantástico foram os primeiros a chegar à Estação Antártica brasileira depois do incêndio que destruiu a base no ano passado, matando dois militares.
Eles acompanharam os esforços para que 200 cientistas brasileiros continuem suas pesquisas.

quinta-feira, 31 de janeiro de 2013

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31/01/2013 - Navio de apoio oceanográfico Ary Rongel parte para dar apoio à reconstrução da estação antártica brasileira,31ª Operação Antártica (Operantar)


Navio de apoio oceanográfico Ary Rongel parte para dar apoio à reconstrução da estação antártica brasileira

Ary Rongelnavio de apoio oceanográfico Ary Rongel deixou na tarde deste 30 de Novembro a Diretoria de Hidrografia e Navegação da Marinha, na Baía de Guanabara, com destino ao Continente Antártico onde vai participar da 31ª Operação Antártica (Operantar). Sob o comando do capitão de mar e guerra Marcelo Luis Seabra Pinto, a embarcação, apelidada por sua tripulação de “Gigante Vermelho”, faz a sua 19ª viagem ao continente e deverá retornar ao Rio de Janeiro em abril do próximo ano.

sexta-feira, 19 de outubro de 2012

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19/10/2012 - Rumo à Antártida, navio da Marinha faz parada em Rio Grande, RS


18/10/2012 20h29 - Atualizado em 18/10/2012 20h29

Rumo à Antártida, navio da Marinha faz parada em Rio Grande, RS

Embarcação Felinto Perry atracou para abastecer e recarregar suprimentos.
Missão irá ajudar a desmontar estação destruída em incêndio em fevereiro. 

 Um navio da Marinha atracou nesta quinta-feira (18) no porto de Rio Grande, na Região Sul do Rio Grande do Sul. A embarcação será abastecida e carregada com equipamentos antes de partir em missão para ajudar na reconstrução da base brasileira na Antártida, conforme reportagem do RBS Notícias (veja o vídeo).  Leia mais...

terça-feira, 9 de outubro de 2012

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09/10/2012 - Operação Antártica XXXI (Operantar XXXI)



Denominada Operação Antártica XXXI (Operantar XXXI), contará com 

apoio de outras quatro embarcações. Além do navio polar, a região onde 

se situa a base brasileira receberá o navio de apoio oceanográfico “Ary Rongel”

 e o navio socorro submar
ino “Felinto Perry” da Marinha do Brasil. A Argentina

 entrará na operação com o navio de apoio logístico “Ara San Blas”. O navio 

mercante “Germania” foi afretado também para apoiar o desmonte da

 Comandante Ferraz. http://goo.gl/KQ41D

“Com o término do inverno no continente, nossos navios partem para iniciar

 os trabalhos de desmontagem das partes da base afetadas pelo fogo, com 

pleno respeito às regras de proteção ambiental.”

Celso Amorim, ministro da Defesa

Foto: Marinha do Brasil/Arquivo
Foto: Denominada Operação Antártica XXXI (Operantar XXXI), contará com apoio de outras quatro embarcações. Além do navio polar, a região onde se situa a base brasileira receberá o navio de apoio oceanográfico “Ary Rongel” e o navio socorro submarino “Felinto Perry” da Marinha do Brasil. A Argentina entrará na operação com o navio de apoio logístico “Ara San Blas”. O navio mercante “Germania” foi afretado também para apoiar o desmonte da Comandante Ferraz. http://goo.gl/KQ41D

 “Com o término do inverno no continente, nossos navios partem para iniciar os trabalhos de desmontagem das partes da base afetadas pelo fogo, com pleno respeito às regras de proteção ambiental.”

Celso Amorim, ministro da Defesa

Foto: Marinha do Brasil/Arquivo

segunda-feira, 8 de outubro de 2012

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08/10/2012 - Navio Polar "Alimirante Maximiano" suspende para a OPERANTAR XXXI, na Antártica


Navio Polar "Alimirante Maximiano" suspende para a OPERANTAR XXXI, na Antártica



Navio Polar "Alimirante Maximiano"


O Navio Polar (NPo) "Almirante Maximiano" suspendeu do Arsenal da Marinha do Rio de Janeiro (AMRJ), no dia 6 de outubro, com destino ao continente Antártico, para participar da Operação “Antártica XXXI”, que se realizará no período de novembro de 2012 a março de 2013. O retorno do navio está previsto para o dia 18 de abril do ano que vem.
Até chegar à Antártica, o navio passará pelos portos de Rio Grande (RS), Ushuaia (Argentina), Punta Arenas (Chile) e Buenos Aires (Argentina). Parentes e amigos estiveram no AMRJ para a despedida. "Ficaremos aproximadamente sete meses longe da família, mas o trabalho é gratificante. Sabemos que estamos apoiando diversas pesquisas científicas e colaborando para o desenvolvimento de nosso País. O mais importante de tudo é que nossos familiares, mesmo sabendo que ficaremos tanto tempo longe, nos apoiam e reconhecem nosso esforço", disse o Suboficial (ES) Elias dos Santos Costa. "Fizemos uma excelente preparação para a viagem, tanto na parte de equipamentos quanto no psicológico de nossos militares", afirmou o Capitão-de-Mar-e-Guerra Newton Calvoso Pinto Homem, Comandante do navio.


Familiares e amigos foram se despedir da tripulação no dia 6 de outubro


Além do NPo "Almirante Maximiano", participam da  OPERANTAR XXXI mais dois navios da Marinha do Brasil, Navio de Apoio Oceanográfico "Ary Rongel" e Navio de Socorro Submarino "Felinto Perry"; o Navio de Apoio Logístico "ARA San Blas", da Marinha argentina; e o Navio Mercante "Germania", afretado para apoiar o desmonte da Estação Antártica Comandante Ferraz (EACF) e a instalação dos Módulos Antárticos Emergenciais. A operação contará, ainda, com o apoio do Ministério do Meio Ambiente, que fará a análise de impacto ambiental do desmonte da ECAF, e da Força Aérea Brasileira, que apoiará com 10 voos para a Antártica empregando aeronaves C-130. No ano em que o Programa Antártico Brasileiro completa 30 anos, a Marinha do Brasil mobilizará toda a sua capacidade operacional e logística para manter ininterruptas as pesquisas e a presença do Brasil na Antártica.
O navio
Por possuir diversos equipamentos e instalações que potencializam as pesquisas, o NPo "Almirante Maximiano" funciona como uma plataforma flutuante. Nele, embarcam pesquisadores de diversas instituições de ensino e institutos de pesquisa científica. Entre seus equipamentos, destacam-se um guincho oceanográfico (capaz de recolher amostras de água em profundidades de até 8 mil metros); cinco laboratórios; uma estação meteorológica; sistema de posicionamento dinâmico (Dynamic Positioning, que permite ao navio manter-se parado em determinada latitude e longitude); ecobatímetro multifeixe (permite elaborar imagem 3D do fundo do mar); um perfilador de corrente marinha; um perfilador de sedimentos do subsolo; quatro embarcações infláveis; dois helicópteros orgânicos; e um recém-instalado guincho geológico.  nomar

sábado, 6 de outubro de 2012

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06/10/2012 - Pesquisadores e militares voltam à Antártica


Pesquisadores e militares voltam à Antártica

É a primeira vez que eles retornam ao continente para fazer trabalhos na estação Comandante Ferraz, incendiada em fevereiro deste ano

O navio polar Almirante Maximiano, da Marinha do Brasil, partirá neste sábado da Ilha das Cobras, no centro do Rio de Janeiro, para dar início à 31ª Operantar (Operação Antártica), no Continente Antártico. É a primeira vez que militares e pesquisadores voltam ao continente para desenvolver trabalhos na Estação Comandante Ferraz, incendiada em fevereiro deste ano.

Segundo a Marinha, o "Tio Max", como é chamado o navio, apoiará projetos de ciência e tecnologia, realizando sondagens e levantamentos oceanográficos que se iniciam no Continente Sul-Americano e vão até a Antártica. A embarcação realizará também a manutenção dos abrigos situados nas ilhas daquele continente.

Para realizar a operação, o navio, que foi incorporado à Marinha em fevereiro de 2009, possui um guincho oceanográfico capaz de recolher amostras de água em profundidades de até 8 mil metros, cinco laboratórios e uma estação meteorológica.

Ele tem ainda um sistema de posicionamento dinâmico que permite a embarcação manter-se imóvel em determinada latitude de corrente marinha, além de um equipamento chamado perfilador, que permite obter um perfil da corrente ao longo da coluna de água, de sedimentos do subsolo marinho.

A embarcação conta com quatro botes infláveis, dois helicópteros orgânicos e um guincho geológico – capaz de coletar amostras do assoalho marinho em profundidades de até 10 mil metros.

A expedição faz parte do Proantar (Programa Antártico Brasileiro), que teve início em 1982, com a aquisição do já desativado navio de apoio oceanográfico Barão de Teffé. Desde então, o Brasil mantém presença constante no continente por meio da Estação Antártica Comandante Ferraz.

A Operantar contará com 81 militares e 32 pesquisadores que voltam ao continente oito meses depois do incêndio na estação.

Em virtude da destruição, módulos antárticos emergenciais serão instalados na Ilha Rei George e começarão a operar em fevereiro do ano que vem, para dar continuidade ao programa de pesquisas no continente gelado. Os módulos serão usados até que uma nova unidade seja construída para substituir a incendiada.

A estação provisória terá capacidade para abrigar 65 pessoas e contará com dormitórios, banheiros, refeitórios, cozinha, laboratórios, enfermaria, geradores, além de estações de tratamento de esgoto e área de armazenamento de resíduos sólidos.
Os módulos têm parede externa composta por PVC, que resiste à ação de raios ultravioleta, e podem suportar ventos de 200 quilômetros por hora.

Ao mesmo tempo em que os módulos começam a ser instalados, também se iniciam os trabalhos de remoção dos escombros da estação incendiada, cuja conclusão está prevista para março do ano que vem. O desmonte dos destroços será feito pelo Arsenal da Marinha e pelos fuzileiros navais, com o apoio de navio mercante alugado pelo governo brasileiro.

Após o incêndio, veículos e tratores que sofreram poucos danos foram trazidos ao Brasil para reparo e os demais permaneceram no local cobertos com capas protetoras para enfrentar o inverno. Em março e abril, também foi feita a retirada de parte dos escombros, com prioridade para resíduos tóxicos e material perecível.

Ao todo, o Brasil desenvolve 23 projetos de pesquisa científica na Antártica, de observação atmosférica, geológica, ciências biológicas, monitoramento ambiental de baleias e algas, monitoramento climático e o Projeto Criosfera (um subsistema terrestre), que se desenvolve dentro continente.  band

sábado, 29 de setembro de 2012

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29/09/2012 - Negligência na base da Antártida

Negligência na base da Antártida
29 Set 2012

Correio teve acesso ao inquérito aberto para apurar as causas do incêndio que destruiu a Estação Comandante Ferraz. Alarme estava desligado e um operador deve ser indiciado por homicídio culposo

LEANDRO KLEBER


O inquérito policial militar (IPM) que investiga as causas do incêndio que matou dois militares e destruiu 70% da Estação Comandante Ferraz, na Antártica, em fevereiro deste ano, aponta que houve uma sucessão de falhas, entre elas, erros humanos que agravaram a situação.
De acordo com informações do IPM, às quais o Correio teve acesso, o processo de transferência de combustível do tanque secundário para os geradores de energia, que é acionado manualmente, deveria ter sido feito durante o dia, e não à noite, como ocorreu. O responsável por essa operação também deveria ter acompanhado da sala de máquinas toda a operação. Mas ele se ausentou do local na hora. Além disso, as investigações, que devem ser concluídas até novembro, indicam que o sistema de alarme estava desligado naquela madrugada de 25 de fevereiro.
A constatação dos investigadores é que o combustível transbordou no momento em que era transferido para os geradores, se espalhou pelo chão e pegou fogo. O tanque, com capacidade para 6 mil litros, fica ao lado dos cinco geradores movidos a óleo diesel que fornecem a energia para a estação. Três peritos da Polícia Federal (PF) analisam se o vazamento ocorreu por falha humana ou das válvulas do equipamento, que não têm mecanismo automático de fechamento e precisam ser abertas e fechadas manualmente.
De acordo com as normas de segurança da estação, o procedimento, que dura cerca de meia hora, deve ser feito durante o dia e sob vigilância ininterrupta de um funcionário responsável. Porém, de acordo com o IPM — que corre em sigilo — um funcionário iniciou o processo e se retirou em seguida para participar da festa de despedida da pesquisadora Theresinha Monteiro Absher. O operador informou aos investigadores que voltou ao local no tempo devido para concluir a transferência e culpou os equipamentos.
Os militares explicaram que as reuniões de confraternização são comuns na base, uma forma de aliviar o estresse e a ansiedade de quem fica, no mínimo, seis meses longe de casa, em uma região inóspita. De acordo com as normas, o consumo de bebidas alcoólicas é controlado pelo comandante da base. São oferecidas, no máximo, duas latas de cerveja ou duas taças de vinho para cada membro da equipe.
Com relação ao sistema de alarme, segundo os depoimentos, na madrugada em que o acidente ocorreu, o equipamento foi desligado para não ser disparado acidentalmente pela fumaça de gelo seco. Essa fumaça é usada em pistas de dança. Durante a festa, os sensores poderiam captar a fumaça e disparar o alarme. Mas a pesquisadora Theresinha Absher negou o uso de gelo seco na confraternização.

Homicídio culposo

A ideia era desligar o alarme apenas dos alojamentos e do refeitório, mas o oficial responsável desativou todos os setores, incluindo a garagem e a casa de força. Este oficial não deve ser indiciado pelo erro. Mesmo que o alarme fosse disparado, não haveria possibilidade de apagar o fogo.
Já o responsável pelos geradores poderá ser indiciado por homicídio culposo — quando não há a intenção de matar —, negligência e imprudência. Essas acusações, porém, ainda dependem da conclusão da perícia da PF. Os demais brasileiros na estação, entre eles 30 pesquisadores, um alpinista que presta apoio às atividades de pesquisa, um representante do Ministério do Meio Ambiente e 12 funcionários do Arsenal de Marinha do Rio de Janeiro, são apenas testemunhas no inquérito.
O Correio ouviu a pesquisadora Theresinha Monteiro Absher. Ela assegurou que o alarme “jamais” era desligado e não houve festa com uso de gelo seco. “Não há a menor possibilidade disso ter acontecido. O alarme nunca era desligado. Fizemos uma reuniãozinha depois do trabalho. Não existe essa de festa com gelo seco na Antártica. Temos que passar por essa fase de suposições. Foi um trauma horrível que aconteceu com a gente. Mas temos de pensar em como restabelecer a base”, disse ela.  resenha