Parlamentares acompanham trabalho dos militares
brasileiros no Haiti
| Foto: Leonice Leal |
Durante três dias, integrantes da Comissão de Relações Exteriores e de
Defesa Nacional (Creden) da Câmara dos Deputados e representantes do
Ministério da Defesa estiveram, em missão oficial, na capital haitiana. Com o
objetivo de conhecer o trabalho realizado pelas tropas de paz naquele país
caribenho, o grupo manteve reuniões com o primeiro ministro Laurent Lamothe
e com parlamentares haitianos, e visitou as unidades militares.
Ao término do périplo, os parlamentares brasileiros admitiram a importância
da participação militar do país. A presidente da Creden, deputada Perpétua
Almeida (PCdoB-AC), disse que “há a necessidade de um pacto do povo haitiano
em defesa da unidade e celeridade do processo de eleição limpa”.
Numa das reuniões ocorridas em Porto Príncipe, os deputados brasileiros foram
informados que o fortalecimento do processo político e a autonomia da polícia
nacional serão decisivos para que o Haiti possa dispensar a presença de
organismos internacionais no país. Essa análise foi feita pelo Force Commander
da Missão das Nações Unidas para a Estabilização no Haiti (Minustah), general
de brigada Fernando Rodrigues Goulart.
De acordo com Goulart, para a missão chegar ao seu final é necessária a
consolidação das instituições democráticas. E uma das ações prioritárias é o
processo contínuo de fortalecimento da Polícia Nacional do Haiti (PNH), por ser
uma iniciativa voltada à segurança no país. Atualmente, a força policial recebe
treinamento da Minustah e conta com 10 mil homens, mas precisa alcançar o
efetivo de 15 mil policiais.
Contingente brasileiro
O Brasil também deve reduzir para 1,2 mil a sua tropa no Haiti até o final do
primeiro semestre do ano que vem. De acordo com o comandante do 17º
Contingente Brasileiro, coronel Rogério Rozas, para garantir um ambiente
seguro e estável à reconstrução das instituições, o governo brasileiro mantém, no
momento, o maior efetivo na missão. São 2.076 militares divididos em três
unidades: o 1º Batalhão de Infantaria de Força de Paz (Brabatt 1); o 2º Batalhão
de Infantaria de Força de Paz (Brabatt 2) e a Companhia de Engenharia de Força de
Paz (Braengcoy).
O comandante, que assumiu o cargo no início da semana passada, disse aos
parlamentares que “o grande desafio do grupo é manter os avanços, que são fruto
do esforço de todos os militares das Forças Armadas brasileiras que já passaram
pela missão”. A pacificação de áreas como Cité Soleil, região que viveu acentuados
problemas de criminalidade, foi apontada por Rozas como uma das conquistas da
Minustah, comandada pelo Brasil.
O efetivo é responsável pelo patrulhamento a pé e motorizado nas ruas de Porto
Príncipe. Os dois batalhões realizam, em média, mais de 3 mil patrulhas por
mês. Já a Companhia de Engenharia apoia atividades em obras de infraestrutura,
asfaltamento das rodovias, reconstrução e assistência humanitária, tanto na área
civil como militar.
Cooperação
O embaixador do Brasil no Haiti, José Luiz Machado e Costa, também esteve
no encontro dos parlamentares com os comandantes militares. Ele salientou que a
cooperação internacional é um dos pilares da presença brasileira no país caribenho, e
que as parcerias são planejadas considerando sempre o apoio direto às comunidades.
De acordo com o embaixador, os principais projetos em andamento são nas áreas de
saúde, agricultura e energia, sendo esta por meio da construção da Usina Hidrelétrica
de Artibonite 4C, fruto de uma parceria entre os governos brasileiro e haitiano, realizado
pela Companhia de Engenharia de Força de Paz.
Combate à fome
Ainda na viagem, deputados brasileiros receberam pedido para que o Brasil possa
compartilhar experiências em programa de combate à fome e à pobreza com o Haiti. O
apelo foi feito durante encontro dos parlamentares. A reunião ocorreu na sede do Parlamento
haitiano.
O presidente do Senado e da Assembleia Nacional haitiana, Desras Simon Dieuseul,
falou que o país precisa de apoio para promover a cidadania para garantia das necessidades
básicas do cidadão haitiano. “O parlamento haitiano apela ao Brasil no sentido de
compartilhar experiências de combate à fome e à pobreza”, reforçou.
Perpétua Almeida sugeriu a assinatura de um acordo de cooperação técnica entre dois
parlamentos na área legislativa, voltada para temas como agricultura, saúde, trabalho e
mulheres.
Os senadores e deputados do Haiti foram unânimes ao falar da importância da participação
brasileira na Minustah. Eles também relataram as dificuldades que retardam o
desenvolvimento social e econômico do país, entre elas a falta de segurança alimentar
e infraestrutura, agravada pelos últimos desastres como a seca e os furações Isaac e Sandy.
Força de paz
No encontro dos parlamentares brasileiros com o primeiro ministro do Haiti, Laurent
Lamothe, na última etapa da visita oficial, foi apresentado pedido de apoio ao Congresso
Nacional para que o Brasil continue a liderar a Minustah. Lamothe falou que o governo
está aberto para construir um diálogo político para a promoção da estabilidade do país.
Mas, segundo o líder haitiano, até que seu país consiga um modelo de desenvolvimento
durável é necessário contar com ajuda internacional. No momento em que a maioria
dos países que integram a missão reduz os investimentos em função da crise econômica,
Lamothe pediu ajuda ao Parlamento brasileiro.
“O Brasil exerce um papel preponderante. Conclamo o Parlamento a compreender a presença
do comando brasileiro na Minustah”, enfatizou.
Para o vice-chefe de Operações Conjuntas do Ministério da Defesa, general Celso José
Tiago, o acompanhamento das atividades militares por representantes do Legislativo
brasileiro permitirá um melhor entendimento das necessidades das Forças e um
conhecimento real de que o apoio ao país caribenho é necessário. O general afirmou que
o ministério não mediu esforços para a realização da missão por considerar imprescindível
aprimorar o entendimento da realidade sobre o Haiti.
“Tenho certeza que os três parlamentares serão os principais disseminadores no Congresso
Nacional da importância do trabalho que está sendo feito pela tropa brasileira,” concluiu
.ASCOM/MD DefesaNet