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quarta-feira, 9 de janeiro de 2013

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09/01/2013 - Fumar é símbolo dos países pobres


O tabagismo se tornou um símbolo dos países pobres e pouco desenvolvidos.

Fumar é símbolo dos países pobres

Arina Jdanova  - radiovozdarussia

fumo, saúde, Organização Mundial da Saúde, economia, indústria
© SXC.hu

Na verdade, 80% dos fumadores de todo o mundo vivem precisamente nestes países. A Organização Mundial de Saúde alerta: se os governos nestas regiões não tomarem medidas urgentes, cerca de um bilhão de pessoas morrerá prematuramente devido ao tabagismo.
Segundo a OMS, muitos dos países em desenvolvimento ainda nem sequer limitaram legislativamente a publicidade e o consumo de tabaco. Os maiores produtores são os EUA e a China. As grandes empresas multinacionais do setor estão presentemente localizadas na Índia, China e Indonésia. Estes países possuem dois terços de todos os trabalhadores desta indústria a nível mundial. As empresas de produção de tabaco, perdendo lucros na Europa, onde se desenvolve uma bem-sucedida luta contra o tabagismo, voltaram-se para os países asiáticos e latino-americanos.
Nestes países é feita uma enorme campanha com vista à divulgação do hábito de fumar. Apresentando-se como importantes investidores na economia, as empresas produtoras de tabaco fazem publicidade ao consumo de cigarros: segundo elas, fumar é ser melhor, mais bem-sucedido.
Por exemplo, no Uruguai, num anúncio aos cigarros Montana, os mais baratos, veem-se dois jovens. Os inquéritos mostram que mais de um terço dos adolescentes neste país já experimentou fumar. Em África, a publicidade ao tabaco, que mostra apenas pessoas brancas em países desenvolvidos, faz com que os habitantes locais pensem que os ricos fumam. Não obstante muitos atores de campanhas publicitárias aos cigarros terem morrido de câncer dos pulmões, para os habitantes dos países pobres, a imagem destes atores é associada à Europa rica ou à América. Para tal contribuem os slogans usados nas campanhas, como "O verdadeiro sabor americano", ou a inscrição "Made in USA" nos maços de tabaco.
Dmitri Yanin, membro da Câmara Social do Ministério russo da Saúde, fala sobre os métodos usados pelas empresas do tabaco:
"Geralmente, estas empresas são encaradas como investidores, são-lhes abertas todas as portas. Elas crescem, investem dinheiro no financiamento de teatros, museus. Em alguns países, financiam projetos de beneficência de líderes políticos. Na República Checa, por exemplo, foram ainda mais longe. Tentaram provar aos deputados que o setor do tabaco é vantajoso para a economia porque faz baixar os gastos do Estado com as pensões, isto porque os fumadores morrem mais cedo, não sendo necessário pagar-lhes pensões tantos anos".
Um dos exemplos mais bem-sucedidos de luta contra o tabagismo são os Emirados Árabes Unidos. As medidas recomendadas pela OMS foram introduzidas neste país há apenas alguns anos. Passou a ser proibido fumar em locais públicos, em caso de violação da lei são aplicadas grandes multas, tendo ainda o preço do tabaco sido aumentado. Como resultado, o consumo se reduziu em 15%. Observamos um quadro análogo em muitos países desenvolvidos, diz Nikolai Kononov, vice-presidente da organização social Liga da Saúde da Nação.
"Nestes países foram criados importantes programas e estes são aplicados de forma sistemática não durante um ano, nem uma década, mas sim 30, 40 anos. A pouco e pouco, a luta contra o tabagismo é feita com cada pessoa e, no geral, com grandes grupos de pessoas".
O consumo de cigarros nos países desenvolvidos baixa cerca de 1% todos os anos. Nos países em desenvolvimento, pelo contrário, cresce 3-5%!
Já hoje, segundo dados da Organização Mundial de Saúde, 80% dos fumadores existentes no mundo (1 bilhão e 700 milhões) vivem precisamente nos países em desenvolvimento. Estes países se tornarão em breve o principal mercado de escoamento deste produto, vantajoso para todos menos para quem o consome.