Em visita ao Comando da Marinha, ministro Jaques Wagner conhece os principais programas da Força Naval. FONTE: DEFESA - Brasília, 9/1/2015 – Em continuidade à série de
visitas aos comandos das Forças Militares, o ministro da Defesa, Jaques
Wagner, esteve hoje pela manhã, na sede da Marinha do Brasil. O ministro
foi recebido com honras militares pelo atual comandante, almirante
Julio Soares de Moura Neto.
Após passar em revista às tropas, o ministro Wagner seguiu para o
gabinete de Moura Neto. Lá, na companhia do chefe do Estado-Maior
Conjunto das Forças Armadas (EMCFA), general José Carlos De Nardi, do
comandante da Escola Superior de Guerra (ESG), almirante Eduardo
Bacellar Leal Ferreira – indicado
pela presidenta Dilma Rousseff para assumir o comando da Marinha –, e
demais oficiais-generais, o ministro participou de um almoço seguido de
palestra do almirante Moura Neto.
Foto: PH Freitas
Jaques Wagner iniciou ontem (8), pelo Comando da Aeronáutica,
visitas às Forças Armadas. Na próxima terça-feira (13), o ministro irá
ao Comando do Exército, no Setor Militar urbano (SMU), em Brasília (DF).
BRASÍLIA - O novo ministro da Defesa, Jaques Wagner, afirmou nesta
sexta-feira que assume o cargo sem "uma lanterna na mão para o passado".
Ele destacou que o seu trabalho será focado no presente, destacando a
necessidade de valorizar as Forças Armadas brasileiras. Em relação às
recomendações da Comissão Nacional da Verdade (CNV), que pede o
reconhecimento explícito das Forças Armadas sobre suas responsabilidades
por violações de direitos humanos durante a ditadura militar
(1964-1985), Wagner foi mais evasivo. Ele disse apenas que as
recomendações serão processadas internamente no ministério.
— Eu não vim aqui com nenhuma lanterna na mão para o passado. Eu vim
aqui olhando para a frente, tem o submarino (nuclear), tem os caças, tem
os satélites: 99,9% da minha função é fazer com que se valorizem as
forças armadas - disse Wagner, em entrevista após a cerimônia de
transmissão do cargo.
Questionado se as Forças Armadas devem pedir desculpas e reconhecer
sua responsabilidade sobre o que aconteceu na ditadura, ele respondeu:
—As recomendações que foram feitas pela Comissão da Verdade serão
processadas internamente pelo Ministério da Defesa. Eu disse que vou me
empenhar. Ultrapassamos aquele momento. Estamos a 50 anos do fato e não
há porque a gente ficar colocando nenhum tipo de obstáculo ao que a
gente tem pela frente para o Brasil. Então elas serão processadas. Eu
digo que a verdade e a transparência não machucam ninguém.
Sobre uma eventual revisão da Lei da Anistia, de 1979, e que não
permite a punição de quem cometeu violações de direitos humanos na
ditadura, Wagner disse:
— Estou chegando agora e vou estudar essa questão. Evidentemente essa
será uma decisão de governo e não uma decisão do Ministério da Defesa.
Wagner disse acreditar nas convicções democráticas dos militares:
— Não acredito que hoje, na cabeça de nenhum militar, esteja presente
que a ruptura da democracia possa mudar o desenvolvimento do nosso
país. Os militares têm por missão a defesa do país. E, ao defender o
país, defendem a democracia.
Cotado para ministérios mais importantes, Wagner acabou se tornando
ministro da Defesa. Mas, segundo o próprio, isso foi uma opção dele.
— Pela vitória nossa na eleição do sucessor (Rui Costa, que o sucedeu
no governo da Bahia), meu nome viajou por todos os ministérios:
Fazenda, Indústria e Comércio, Planejamento, Casa Civil. E no meu
primeiro diálogo com a presidenta da República, eu disse a ela que tinha
muito apreço em ser designado para o Ministério da Defesa. Então muita
gente se surpreendeu: "mas, com esse patrimônio político!" Eu digo: acho
que patrimônio político deve ser emprestado ao Brasil. O patrimônio
político emprestado ao comando do Ministério da Defesa com certeza é
para cada vez mais cicatrizar as feridas que ainda permanecem e tem que
ser cicatrizadas, e fazer aquilo que é de natureza, que é o absoluto
encontro da Defesa com as nossas Forças Armadas, cada vez mais próximas e
integradas - disse Wagner no discurso que fez durante o evento.
Mais tarde, em entrevista questionado que feridas seriam essas, ele respondeu:
— Tem ainda pessoas que perderam familiares, não encontraram familiares e querem ter o direito de encontrar.
Ele afirmou que vai lutar permanentemente em favor de marinheiros,
soldados e aviadores. Destacou também que vai trabalhar para tornar as
Forças Armadas cada vez mais capacitadas e modernas, ressaltando
projetos nas áreas nuclear, cibernética e espacial. Afirmou ainda que
vai buscar uma cooperação maior com países de nível de desenvolvimento
parecido, como os Brics, grupo que, além do Brasil, inclui Rússia,
Índia, China e África do Sul. Comprometeu-se com a recomposição plena da
base brasileira na Antártida, destruída por um incêndio em 2012. Disse
também que vai usar o patrimônio político para garantir a continuidade
dos projetos das Forças Armadas.
— Teremos um ano de aperto. Quero dizer aos comandantes e aos civis
do Ministério que esse ministro está à frente na luta pela garantia da
continuidade de todos os projetos, que não foram definidos por mim, mas
por quem carrega legitimidade: o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva
e a presidente Dilma Rousseff — disse Wagner.
Em seu discurso de despedida do cargo, o ex-ministro Celso Amorim,
que também já foi ministro das Relações Exteriores, afirmou que estava
provavelmente deixando a vida pública. O ex-ministro disse que o diálogo
entre as Forças Armadas e a Comissão da Verdade foi o trabalho mais
difícil que teve como ministro da Defesa.
— A mais difícil tarefa que tive nessa travessia foi a intermediação
entre o agrupamento militar, do qual, repito, muito nos orgulhamos e a
Comissão da Verdade. Creio que executamos os melhores dos nossos
esforços do que era preciso fazer: dar acesso à verdade, dar acesso às
informações, e permitir, dessa maneira o objetivo fundamental da
Comissão Verdade, de conhecimento dos fatos. Muitos considerarão
insatisfatório, por um lado. Outros considerarão injusto, por outro. Mas
o trabalho feito, com a colaboração sempre leal e correta dos comandos
militares, intermediada pelos meus dois chefes de gabinete
principalmente, foi um trabalho que mereceu, inclusive, um elogio talvez
exagerado e injusto do presidente da comissão no dia da entrega do
relatório — afirmou Amorim.
O presidente da comissão, Pedro Dallari, de fato elogiou o
ministério, mas não deixou de fazer críticas às Forças Armadas no dia 10
de dezembro quando o relatório foi entregue à presidente Dilma. Ele
colocou em dúvida a veracidade de várias informações repassadas pelos
militares à Comissão da Verdade.
Amorim fez vários elogios aos militares, destacando qualidades como a
lealdade e as missões de paz das quais o Brasil participa no exterior
(Haiti, Líbano e República Democrática do Congo). Também destacou como
sinal de avanço a edição, pela Escola Superior de Guerra, de um livro do
ministro Santiago Dantas, que integrou o governo o presidente João
Goulart, deposto em 1964 pelos militares.
—Eu quero dizer que isso também é um símbolo de que estamos
avançando, os preconceitos desabando e nós estamos consolidando nossa
visão democrática — afirmou Amorim.
Os comandantes das três forças - Júlio Soares de Moura Neto
(Marinha), Enzo Peri (Exército), e Juniti Saito (Aeronáutica) - estavam
presentes, assim como o general José Carlos De Nardi, chefe do
Estado-Maior Conjunto das Forças Armadas. Vários ministros prestigiaram a
cerimônia: Arthur Chioro (Saúde), José Elito (Gabinete de Segurança
Institucional), Armando Monteiro (Desenvolvimento), Ideli Salvatti
(Direitos Humanos) e Miguel Rosseto (Secretaria Geral da Presidência da
República). Ex-ministros também compareceram, como Alexandre Padilha
(Saúde), Miriam Belchior (Planejamento) e Afonso Florence
(Desenvolvimento Agrário). Outras presente foi a presidente do Superior
Tribunal Militar, Maria Elizabeth Teixeira Rocha
Novo ministro da Defesa ex-governador da Bahia Jaques Wagner recebeu na manhã desta
sexta-feira
transmissão do cargo de ministro da Defesa do governo
Dilma.
Durante a cerimônia, Wagner passou em revista as tropas do Exército,
Marinha e Aeronáutica. Ele recebeu o comando do ministério do diplomata
Celso Amorim.
Em discurso durante o evento, Wagner revelou que o comando da pasta da
Defesa foi o pedido dele. "Quero deixar claro, em especial para os
comandantes das Forças Armadas, que essa não foi uma acomodação, mas um
atendimento a um pedido pessoal meu", disse o ex-governador da Bahia.