Os habituais protestos de 7 de Setembro, organizados pelo movimento Grito dos Excluídos, sindicalistas e movimentos em defesa dos direitos sociais, ganharam proporções mais ferrenhas, virando manchete nos principais veículos de notícias nacionais e internacionais. Os protestos tomaram os desfiles cívicos em 24 capitais e pelo menos 40 cidades, com mais de 500 pessoas detidas e diversas ficando feridas.
Ganharam destaque, no aspecto importunar a nobre paciência das forças de segurança, grupos como Black Blocs, que protestavam contra decisões judiciais que proibiram o uso de máscaras e gorros em manifestações populares. O grupo Anonymous Brasil, que adotou o tema ''NÃO ADIANTA ME REPRIMIR ESSE GOV VAI CAIR'', chegou a informar a derrubada de sete websites do governo brasileiro. Porém a maioria voltou a funcionar momentos depois.
A efervescente onda de manifestação quase sempre dispersada pela polícia em igual intensidade, numa estratégia sem êxito de evitar atos de vandalismo, questionava o chamado “terrorismo de Estado”, exigindo modificações no código penal, a badalada reforma política, punição aos torturadores do regime militar, entre outras adversidades provenientes do sistema político brasileiro.
Tais ações, ainda que não tão evasivas em número, quanto as de junho deste ano, onde mais de 1 milhão de pessoas foram às ruas, acaba por colocar mais uma vez contra a parede a figura da presidente Dilma Rousseff, figura que já protestou contra as desigualdades da sociedade brasileira e do governo autoritário, com um objetivo central de derrubar o Estado, e agora, ironia à parte, se vê do outro lado da fronteira.
Em meio ao tumulto, depredação, detenções e afins, os desfiles ocorreram de forma pacífica na maior parte do país, ficando apenas alguns questionamentos em meio ao imbróglio: não seria, o vândalo que quebra, parente direto do governo que saqueia? Até onde vai o direito de se expressar e o dever de se calar? Estaria a presidente Dilma decidida a arriscar-se, e continuar comprando briga com a alta burguesia brasileira, diga-se agora Congresso Nacional e velhos caciques da política em detrimento a sociedade e seu segundo mandato, ou seria mais cômodo manter o jogo do faz de conta, investindo em bombas, gás lacrimogênio e balas de borrachas?