16 de set de 2013

16/09/2013 - Santista ex militar é o único brasileiro na melhor faculdade de saúde pública americana


Marcelo Contardo Moscoso Naveira estuda na Bloomberg Johns Hopkins.
Ao final do curso, em maio de 2014, médico deve voltar ao Brasil.

Marcelo Naveira na OMS, no Vietnã (Foto: Arquivo Pessoal/Marcelo Naveira)Marcelo Naveira na Organização Mundial de Saúde, no Vietnã (Foto: Arquivo Pessoal/Marcelo Naveira)
Trazer novas ideias e estratégias em saúde pública dos Estados Unidos para o Brasil. Essa é a vontade do médico infectologista Marcelo Contardo Moscoso Naveira, de 29 anos. Ele é o único brasileiro aprovado, neste ano, no programa de mestrado da Escola de Saúde Pública Bloomberg Johns Hopkins, considerada há 27 anos a melhor no mundo.

O jovem médico seguiu os passos do pai, Miguel Naveira. Marcelo se formou na Faculdade de Ciências Médicas de Santos, no litoral de São Paulo, mas mesmo bem jovem, viajou mundo afora atrás de novas experiências. Ele fez a residência médica na área de Infectologia do Hospital Heliópolis, localizado na favela mais populosa de São Paulo.
Também serviu o Exército Brasileiro por um ano e instruiu alunos, cabos, soldados e oficiais sobre a prevenção de doenças. Trabalhou ainda no Centro de Referência e Tratamento DST/AIDS da Prefeitura de Santos.
Marcelo e os outros estagiários da OMS (Foto: Arquivo Pessoal/Marcelo Naveira)
Marcelo (a direita) e outros estagiários da OMS
(Foto: Arquivo Pessoal/Marcelo Naveira)
Marcelo chegou aos Estados Unidos graças ao estágio em HIV e DSTs na Organização Mundial da Saúde (OMS) - Western Pacific Region (Filipinas), sob tutela do médico e professor Fabio Mesquita, atual diretor do Departamento de DST, AIDS e Hepatites Virais do Ministério da Saúde. “Era uma oportunidade única”, diz ele.
Durante o estágio, estudou o HIV e a Hepatite C em países como China, Filipinas, Vietnã, Malásia, Camboja, Laos, Coréia do Sul, Mongólia e Japão. Apresentou estimativas de impacto das doenças e propostas para diagnósticos e tratamentos. “Durante o estágio na OMS, conheci muitos outros pesquisadores e estagiários, de diversos países. Ao final, pude apresentar parte do trabalho desenvolvido em uma conferência em Beijing, na China”, conta.
Quando retornou à Ásia, em 2012, reencontrou colegas de estágio, teve contato com outros médicos e trabalhos. “A vontade de estudar no exterior e encarar outra aventura cresceu. A família e os amigos perceberam e incentivaram. A Johns Hopkins era a meta, mas eu não achava que era possível. Afinal, a Escola de Saúde Pública Bloomberg Johns Hopkins é considerada há 27 anos a melhor no mundo. Dentre seu corpo docente, há vários professores agraciados com o Prêmio Nobel e outras láureas. Aceitei o desafio”, afirma o médico. Após prova, análise curricular e apresentação de cartas de recomendação, ele foi aprovado.
Estudantes Internacionais na universidade americana (Foto: Arquivo Pessoal/Marcelo Naveira)Estudantes internacionais na universidade
americana (Foto: Arquivo Pessoal/Marcelo Naveira)
Logo que chegou na Johns Hopkins, percebeu que a universidade está muito ligada à história dos Estados Unidos, mas as pesquisas não estão restritas ao povo americano. O médico conta que, como há centros de pesquisa da Hopkins em todo o mundo, assim como no Brasil, a escola também conta com muitos professores e alunos estrangeiros. Neste ano, no curso dele, que aborda a saúde pública, um dos temas mais importantes mundialmente, ele é o único brasileiro. “Na faculdade de saúde pública são discutidos temas como Aquecimento Global, Conservação Ambiental, Desenvolvimento Sustentável, Comunicação em Saúde, Conflitos Armados e Violência, Escassez de Recursos Naturais, Impacto e Desigualdade Social, muitos temas da atualidade que nem sempre são considerados pelo profissional de saúde”, relata.
Marcelo nos Estados Unidos (Foto: Arquivo Pessoal/Marcelo Naveira)Marcelo nos Estados Unidos (Foto: Arquivo
Pessoal/Marcelo Naveira)
Marcelo escolheu estudar Assistência Humanitária e Prontidão em Saúde Pública porque, segundo ele, são competências exigidas na atuação nacional e internacional e apresentam possibilidades de tese interessantes. Para formar a sua, no final do curso, o brasileiro deverá utilizar a experiência profissional e cultura que adquiriu no Brasil, aliadas a tudo que está aprendendo nos Estados Unidos. Ele já percebeu a diferença entre o sistema de saúde brasileiro e o americano, e quais as conquistas e os pontos críticos na área de medicina de cada país. Segundo ele, em muitos países não há um SUS, como no Brasil, nem o interesse em tratamento de HIV e dependência química. “Não há um SUS nos Estados Unidos, e o trabalho de prevenção de doenças é muito recente. Há uma preocupação com a epidemia de obesidade, diabetes, hipertensão, doenças cardiovasculares e respiratórias, mas medidas simples, como o aleitamento materno, não são tão valorizadas, concorrendo para distúrbios nutricionais desde cedo”, afirma o médico.
Marcelo entende que, para um país que investe tanto em novas tecnologias e possui múltiplas estratégias para epidemias de doenças infecciosas, é curioso que não haja uma forte prevenção de doenças não infecciosas, o que se vê muito no Brasil. Ele também relata que o raciocínio médico dos americanos é bem diferenciado, e praticamente dependente da tecnologia. “Recorrem com frequência a exames de imagem e laboratório mais elaborados. Se por um lado confere resultados mais confiáveis, também retira um pouco da arte na medicina que praticamos no Brasil”, fala.

O médico, que chegou aos Estados Unidos em junho deste ano, está observando a realidade da saúde americana aos poucos. O curso deve terminar somente em maio de 2014. Ele tem uma vontade muito grande de trabalhar no exterior, mas a saudade do Brasil, da família e da cidade fará com que volte à sua terra natal ao final do mestrado. Mas, até lá, quer aproveitar a oportunidade para adquirir mais conhecimento e melhorar a saúde de seu país. “O título de mestre conferido pela melhor escola de saúde pública será importante para concorrer a novas ofertas de trabalho. Entretanto, acredito que a vivência multicultural na JHU será fundamental para o crescimento profissional. Existe também o compromisso de trazer novas ideias e estratégias, afinal, o Brasil é minha pátria”, diz. Marcelo confessa ainda que a maior razão do seu sucesso profissional, nesta pequena e intensa trajetória, deve-se ao grupo de pessoas, principalmente de origem brasileira, que conheceu, conviveu e trabalhou durante a vida.
Escola de Saúde Pública nos Estados Unidos (Foto: Arquivo Pessoal/Marcelo Naveira)Escola de Saúde Pública nos Estados Unidos (Foto: Arquivo Pessoal/Marcelo Naveira)

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